O Perigo de Aceitar Migalhas Gisele Guerra
Era madrugada quando a galinha despertava, todos os dias, com o mesmo desejo ardente no peito: escapar do poleiro que a mantinha presa há tanto tempo. Ela sonhava com a liberdade, com o campo aberto, com a brisa suave da manhã que só podia sentir de longe. Dentro dela, havia uma voz que sempre dizia: “Existe algo além dessas grades. Existe uma vida diferente esperando por você.”
E assim, em cada amanhecer, ela se aproximava da pequena fresta na grade,
acreditando que um dia encontraria coragem suficiente para atravessá-la e, enfim, conquistar a tão sonhada liberdade.
Mas antes que pudesse dar o passo decisivo, algo acontecia: de repente, migalhas eram lançadas à sua frente. O cheiro do alimento, o som delas caindo no chão, a promessa de saciar sua fome… tudo isso a distraía
Faminta, carente e sedenta por qualquer sinal de atenção, ela recuava da brecha que lhe apontava a saída e corria em direção às migalhas. Ali, abaixava a cabeça, bicava uma por uma e se sentia, por um instante, satisfeita.
O que ela não percebia era que aquelas migalhas não estavam ali para sustentá-la, mas para enganá-la. Não passavam de uma armadilha bem montada: enquanto ela se contentava com o pouco, esquecia-se da grandeza da vida que poderia viver fora do cativeiro.
Assim, dia após dia, o ciclo se repetia.
O sonho da liberdade era sempre adiado, e a esperança ia sendo sufocada pela ilusão de um falso sustento.
Sobre o Livro
- ISBN: 978-65-6109-292-0
- DOI: 10.56238/livrosindi202620-001
- Ano de publicação: 2026
- Número de Páginas: 32